O que é um lugar?

Lugar: um espaço que ganha sentido, valores, afetos na medida em que é habitado. Uma geografia constituída pelos vestígios e marcas do que é vivido por cada habitante que por um ou muitos momentos – deteve o instante e deslocou-se para outra temporalidade; habitou outro tempo: o do presente, das intensidades, do cheiro de bolo, de fruta, das mãos, de uma linha a percorrer um papel em branco que é todo o universo pelo átimo de um segundo. In – vent – ado: aquele que areja, que traz o vento em seu radical. Que vem, nasce e surge feito tempestade, pé-de-vento interior, feito na respiração, na participação, na coconstrução com outras pessoas, outras materialidades, com outras perguntas para o que a gente já levava dentro. 

Festival Pororocas

 Uma questão, muitos olhares. A instauração de um processo para, juntos, pensarmos, debatermos e inventarmos novos caminhos para olhar e indagar. Após uma ação poética, profissionais de diferentes áreas do conhecimento dialogam entre si e com os demais participantes. Depois são organizados cursos à distância, em que se pode estudar as questões estruturais levantadas nestes encontros e outros problemas propostos pela equipe Bináh. Lugar de encontro de saberes e conhecimentos.

 

Circuito Bináh


Um encontro entre a dança e a colagem, ou entre a música e a geometria, ou entre as narrativas e a percussão. O Circuito Binah é um ateliê com adultos e crianças de todas as idades. Em uma tarde, artistas, músicos, dançarinos, cozinheiros e outros profissionais se encontram para compartilhar seus processos de invenção e fazer uma oficina acompanhada de uma apresentação. Lugar de experiências em ação. Lugar de devaneio. Lugar de pensamento. Lugar de pessoas

Invenção: abrir caminho para o que ainda não foi feito, nos colocar em movimento justo por aquilo que de fato nos move, pelo que fala e se expressa em nós. “O educador é aquele que, com sua presença, cria um lugar.” (Stela Barbieri) Aqui, inventa-se espaço – literal e metafórico para uma ação-ateliê, um fazer-ateliê, um mergulho no sensível. Lugar de aprendizados e afetos

lugar de experiências com e a partir da arte

São 450 m² de invenção, distribuídos em galpão, varanda e quintal com arquibancada, árvores frutíferas e plantas, numa rua tranquila e com vista para o nascer do sol e da lua. O Bináh acolhe apresentações, festivais, saraus, cursos, vivências, oficinas, palestras, exposições, performances e instalações tudo dentro de um ateliê-lugar, feito de perguntas, movimentos, aprendizagens, conhecimentos, convívios e relações.

 

Berilimbau 

Ateliê para investigações e experiências com crianças de três a dez anos. Ao chegar no ateliê, as crianças encontram o espaço preparado como um convite, com diversas materialidades, onde várias linguagens estão em jogo. Lugar de inventar, imaginar, experimentar e investigar. Lugar da infância.

O Bináh é um lugar ao mesmo tempo inventado, de invenção e de muitos lugares.

Bináh é lugar de encontros e relações. Consigo, com o outro, com a alteridade, com a meterialidade das coisas. Com os cantos, os ocos,
os vazios, os entretempos. Com experiências que ainda estão por ser investigadas, perguntadas, esmulaçadas, descobertas, desvendadas,
atribuídas de sentido. Pelas línguagens, pelos traços, pelas danças, pelos sons, pelas urgências, pelo ritmo, pela suspensão de tempo e
dos dias. Lugar de investigação

“Estar em estado de ateliê é se colocar à janela, percebendo as relações entre o prédio e o céu; ouvir o ritmo da bola na quadra e perceber a música que faz ao pingar no chão; é estar em fricção com a materialidade das coisas, em uma
alternância de vai e vem, que nos convoca a estabelecer relações. É dar credibilidade ao que diz o corpo ao mexer na massa informe, ao sentir sua umidade, sua elasticidade limitada, sua densidade escorregadia, seus pedaços feitos de pó, sua maleabilidade, que marca nossa intervenção”.


(Stela Barbieri)

“Pois arte é infância. Arte significa não saber que o mundo já é, e fazer um. Não destruir nada que se encontra, mas simplesmente não achar nada pronto. Nada mais que possibilidades. Nada mais que desejos. E, de repente, ser realização, ser verão, ter sol. Sem que se fale disso, involuntariamente. Nunca ter terminado. Nunca ter o sétimo dia. Nunca ver que tudo é bom. Insatisfação é juventude.” 

(“Sobre Arte”, Rainer Maria Rilke)